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MTE identifica 800 trabalhadores em frentes de cana em Pernambuco

Entenda a fiscalização do MTE em 70 frentes de corte de cana em Pernambuco: pelo menos 166 sem registro e 230 sem proteção facial.

Ilustração de auditora e trabalhador rural com EPI em canavial, com lupa, documento com check e escudo

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, em 28 de outubro de 2026, o balanço de uma fiscalização em frentes de corte de cana-de-açúcar da Zona da Mata Norte e Sul de Pernambuco, feita de 21 a 25 de setembro de 2026. Quinze auditores-fiscais percorreram cerca de 70 frentes de trabalho em mais de 20 municípios.

Mais de 800 trabalhadores foram entrevistados e identificados individualmente, por amostragem. Entre eles, pelo menos 166 não tinham registro e pelo menos 230 estavam sem proteção facial. Os números são preliminares e podem ser revistos.

A fiscalização cruzou, na mesma ação, registro de empregados, EPI, água, sanitários, refeições, ferramentas e transporte.

O que aconteceu

A Auditoria-Fiscal do Trabalho, sob coordenação da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), fiscalizou frentes de corte de cana na Zona da Mata Norte e Sul de Pernambuco entre 21 e 25 de setembro de 2026. Os auditores encontraram EPIs deteriorados ou ausentes, como luvas rasgadas, botas deterioradas e falta de perneiras.

Também faltavam água potável e sanitários em frentes de trabalho, e alguns trabalhadores levavam água de casa. Em parte das frentes não havia barracas de apoio, e as refeições eram feitas no canavial ou em locais improvisados, sem mesas ou assentos suficientes. Houve trabalhadores que forneciam as próprias ferramentas e equipamentos, e foram relatados ferimentos com facões.

O MTE descreve as condições como situações de trabalho degradante, caracterizadas por falta de água potável, de equipamentos e de instalações sanitárias.

Quem está envolvido

  • MTE, por meio da SIT e da Auditoria-Fiscal do Trabalho: 15 auditores-fiscais fizeram a fiscalização e divulgaram o balanço.
  • Empregadores, usinas e intermediários: o MTE não nomeia usinas nem empregadores.
  • Trabalhadores: foram identificados por amostragem, sem divulgação de nomes.

Cronologia

  • 21 a 25 de setembro de 2026: fiscalização em cerca de 70 frentes de corte de cana, na Zona da Mata Norte e Sul de Pernambuco.
  • 28 de outubro de 2026: o MTE publica o balanço da ação.

Números e dados

  • Período da fiscalização: 21 a 25 de setembro de 2026.
  • Frentes de trabalho: cerca de 70.
  • Municípios: mais de 20.
  • Auditores-fiscais: 15.
  • Trabalhadores entrevistados e identificados, por amostragem: mais de 800.
  • Com registro formal: 437.
  • Sem registro: pelo menos 166.
  • Com situação contratual em análise: 204.
  • Sem proteção facial: pelo menos 230.
  • Maior frente: até 85 trabalhadores.

Contexto

A operação usou imagens de satélite com geolocalização e drones para chegar a frentes em engenhos e áreas isoladas. O transporte dos trabalhadores também está em análise: cintos de segurança, acondicionamento de ferramentas e funcionamento do tacógrafo. A Auditoria-Fiscal apura suspeita de fraude nas contratações e a atuação de intermediários: quem recruta, dirige, transporta e paga os trabalhadores. Denúncias de trabalho escravo contemporâneo podem ser feitas de forma anônima no Sistema Ipê (ipe.sit.trabalho.gov.br).

Consequências

O MTE exige a regularização dos casos de ausência de registro.

Próximos passos

O número final de vínculos formalizados será consolidado depois que os empregadores comprovarem as providências. As infrações comprovadas terão as providências administrativas cabíveis, incluindo a lavratura dos respectivos autos de infração.

Base normativa

A NR-31 obriga o fornecimento gratuito de EPI aos trabalhadores (item 31.6.1). Os EPI devem ser adequados aos riscos e mantidos conservados e em condições de funcionamento (item 31.6.3), e o empregador deve exigir que os trabalhadores os utilizem (item 31.6.4).

Conteúdo informativo. Os números são preliminares, nenhum auto de infração foi informado e nenhuma empresa foi nomeada.
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Victor Tavares

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